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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Coronárias náuticas

                              

                                                
                                  

A minha vida é um mar aberto
Com tempestades e bancos de areia
Sou um velho nauta que o tempo gostou
E mantém vivo por contemplação

Cabelos brancos que o sal tingiu
E a pele crespa que o Sol queimou
Sem foto shop mostram quem sou eu

Vida bandida que em mim habita
Há meio século e duas dezenas
Se regozija quando me perguntam

Por que viajas tanto, tanto, tanto?

Sou um marujo a mapear o tempo
Tenho segredos e vontade plena
A minha alma guarda os meus barcos
Meu coração as pontes de safena



Jairo Cerqueira

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Vilarejo


O Sol aquece o som dos passarinhos
O vento leve a carregar as folhas
Meninas magras caminhando a esmo
E uma senhora a falar ao padre.

Um cego triste a violar canções
Num armazém de porta escancarada
E um quase bêbado a falar de mim.

A vida passa sem ser percebida
Pessoas vivem sem sequer dar conta
Que o tempo voa, mas retorna lento
Quando o amanhã é somente rotina.

Num calendário sem perspectivas
O Sol se esconde ao som de alguns insetos
O vento esfria... e agora chove.

Jairo Cerqueira