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domingo, 11 de abril de 2010

BOCAS



Bocas que se enfrentam com trejeitos


Que se torcem, se contorcem, se apertam

Que se calam como se fosse o silêncio

O acúmulo de gritos imperfeitos.

Lábios que se xingam uns aos outros
Desrespeitando tristes regras sociais
Gritam, berram e cospem feito loucos...
No vomitório das palavras mais banais.

Nesta Ágora de discursos infundados
A platéia ia aos poucos percebendo
Que em meio a tudo aquilo havia desejo.

E confirmando o que pensavam os curiosos
Aquelas bocas sucumbiram à lei da carne
E o que era espúrio em pouco tempo virou beijo.



                                         Jairo Cerqueira