O Sol aquece o som dos passarinhos
O vento leve a carregar as folhas
Meninas magras caminhando a esmo
E uma senhora a falar ao padre.
Um cego triste a violar canções
Num armazém de porta escancarada
E um quase bêbado a falar de mim.
A vida passa sem ser percebida
Pessoas vivem sem sequer dar conta
Que o tempo voa, mas retorna lento
Quando o amanhã é somente rotina.
Num calendário sem perspectivas
O Sol se esconde ao som de alguns insetos
O vento esfria... e agora chove.
Jairo Cerqueira





