sábado, 18 de dezembro de 2010

10 a BAFO 100 métrica



                                              




Quando passo a enxergar
Os meus próprios supercílios
Percebo que o Black White
Me convida a escrever um poema.
Então...
Com cara de idiota
Me aposso dos poros de um guardanapo
E faço sair de mim
Aquilo que dificilmente será aceito
Apenas pelo som de uma voz.
Mas, como palavras no papel
Se tornam chiques
Empurro goela abaixo
Nos intelectuais de plantão
Tudo aquilo que na oratória
Talvez fosse desprezível
Aos olhos nus dos bem vestidos.
Desta forma,
Viveremos todos bem:
Eu, escarnecendo suas vísceras
Eles, obedecendo fielmente
Ao social.





Jairo Cerqueira

7 comentários:

Lou Albergaria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lou Albergaria disse...

Fui eu que escrevi isso aí?!!! Quando? Se tivesse ido à Bahia, com toda certeza me lembraria....hahahaha.....

Magnífico!!!

Ontem tava lendo um artigo sobre POESIA MARGINAL doas anos 1970 cujo maior ícone foi LEMINSKI. Achei bárbaro! Os poetas e as poetas desse movimento mimeografavam os poemas, grampeavam e vendiam nas escolas, bares, teatros, etc... Identifiquei-me demais com o espírito desse movimento.

Penso que podemos ressuscitar o MOVIMENTO POESIA MARGINAL, por que não?! Nada contra à poesia convencional, mais inebriada, mas definitivamente não é a MINHA ONDA...

ADOREI SUA PROSA POÉTICA VINDA DOS PORÕES que é onde estão os verdadeiros instintos...

In whisky veritas!

BEIJOS!!!

Lu

Graça Graúna disse...

"Eu, escarnecendo suas vísceras
Eles, obedecendo fielmente
Ao social."

Jairo, poetamigo: sua poesia é cortante porque cheia de vida e desse modo devemos seguir para contrariar o estático.
Bjos,
Grauninha

Bípede Falante disse...

Eta, que você é danado! Derrama vinho, derrama ácido e a gente que se cuide para não cair de bêbado ou arder queimado.
beijos.

Bípede Falante disse...

Querido Jairo, um feliz natal e um feliz 2011 pra você :)
beijos

Marcio Nicolau disse...

Pensei ter deixado aqui outro dia um comentário ratificando o da Lou e me propondo a fazer parte do movimento de resgate da poesia marginal.

Deve ter ocorrido um erro e o comentário se perdeu.

Repito então a fala e aproveito pra desejar um feliz 2011.

Jairo Cerqueira disse...

Obrigado a todos vocês que 'temperam' a comida desse blog (comida sem tempero é horrível - rsrsrs.
Um abraço a todos e um Feliz 2011.