No incomensurável espaço existente
Entre o peito e o cérebro
O coração e a razão travam batalhas.
Nesse momento, explosões moleculares
Levam o homem a um tremendo desvario
E um sentimento que aos poucos se desintegra
E com o vento se desmancha no sem fim
Às vezes volta com o vento que o leva
Recompondo-se como adubo
Nas areias de um jardim.
Não há por que se esquivar de um desejo
Quando ele é puro, inequívoco e singular
Só os covardes criam terríveis obstáculos
Impedindo o coração de se expressar.
O que essa química abstrata trás implícita
É a confissão de uma pedra
Que bombeia um amor pleno
Que na mistura homogênea
Entre o belo e o obsceno
Realiza sem temor o seu desejo de amar.
Porém se um dia esse amor fragmentar-se
E no universo espalhar-se bruscamente
Havendo só uma partícula em meu peito
Será o bastante pra eu te amar eternamente.
Jairo Cerqueira





