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sábado, 8 de maio de 2010

Visão de um homem comum



           

            Queria tanto lhe beijar a face
             Encostar meu rosto
             No seu ombro amigo
             Agora já não dá mais
             A morte foi implacável
             Você partiu
             E não faz idéia do que fez comigo.
             É certo que eu não ando às lágrimas
             Não ascendo velas nem faço oração
             Você quando viva sabia
             E quase sempre compreendia
             Quanto maior o sentimento
             Menor a minha explosão.

             Compreendo perfeitamente
             As ações do criador
             Porém você não calcula
             A extensão da minha dor
             Ah, se eu pudesse agora
             Chorar no teu ombro amigo.

             Não questiono a sua morte,
             Só não aceito a tua sorte...
             Você morreu sem ter vivido.


                        Jairo Cerqueira 23/08/02

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Um odor maltado na memória






O perfume
Que invadiu minhas narinas
Numa tarde cinza,
Friorenta e nuvolosa
Se misturou
Ao whisky que eu sorvia
Extasiado
Pelo som de Malagueña.
Por um momento
Percebi com a saudade
Alguma coisa
Meio assim, angustiante
Pois, a ternura
Ternária de Malagueña
Estraçalhou sem piedade
Minha memória.
Essa lembrança
Sopranada em LÁ menor
Fez levitar
As plumas plúmbeas do desejo.
Um outro gole
De whisky com teu cheiro
Embriaguez
De inspiração e sofrimento.


Jairo Cerqueira