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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Desconhece-te a ti mesmo






Quando Pítia, em transe
Foi usada por Apolo
Uma noção dúbia
Penetrou num crente
Que visitava o Oráculo.
Mas seu coração acionado
Emocionou a razão
E a dubiedade comprimida
Se transformou em certeza.

Assim, professou-se a fé.

Mas o meu corpo em êxtase
Ao ser negado por Ela
Vendo a razão sendo viva
Num coração sem cabeça
Tornou-se forte e seguro.
Favorecendo a mim mesmo
A negação diluiu-se
E mascarada num véu
Me embriagou de esperança.

A isso, chamou-se querer.

No Delfos dessa loucura
A paixão, a fé e a ‘querência’
São providências distintas
De um coração desejoso.



Jairo Cerqueira


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Vontade de potência






O irreconhecimento da inevitável necessidade de nos tornarmos o que verdadeiramente somos, surge porque simplesmente nascemos e crescemos sem perceber. O desejo de enxergar além dos pêlos do coelho, sair da caverna platônica e não temer ser espancado até a morte, infelizmente ainda não foi amplamente socializado.
Não se deve temer àquele mito cavernoso, pois os cegos acorrentados e póstumos não são tão ruins como aparentam ser. Eles só não enxergam e nem vislumbram alternativas.
Se desde a colisão entre o esperma e o óvulo já existe o in - consciente, é justamente nesse Big _ Bem que podia ser diferente, mas não é. Se assim fosse, poderíamos algumas vezes ordenar aos nossos desejos:
“IDE até o EGO e o faça tornar - se um pouco mais flexível”!
Quem sabe, assim, o SUPEREGO seria um pouco menos reprimível!                                                            
Mas somos verdadeiramente impotentes; não nos desvinculamos da cartilha que nos conceitua e nos preceitua de maneira preconceituosa. Enquanto isso, no mercado escarnecedor dos aproveitadores:


“Vende-se sonho importado a um povo que dorme acordado
Num país de ilusões”.



Jairo Cerqueira