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segunda-feira, 17 de maio de 2010

O lado negro da força



Professor, posso escrever com caneta de cor verde?

Acabaram as linhas dessa página... posso passar  para o outro lado da folha?

Será que posso passar o corretivo nos lugares em que escrevi errado?



Foi aberta a porta da Nave Mãe. Em cada compartimento ‘cubicular’ - estes contendo cerca de 40 a 50 subordinados ao conhecimento – entra um protótipo clonado do Lord Darth Vader e, impondo a regra básica e rotineira do Império, grita: “Comecem a fazer os seus deveres”! Então, alguns ignóbeis assustados com o pseudo barulho emitido pela respiração seca, originada pela máscara maléfica do comandante, lançam-se ao processo robotizado de decodificação. O senso crítico, a disciplina, boas maneiras, a ética e o raciocínio lógico, cedem espaço para o desfile soberano dos conteúdos programados. A constatação é deprimente:

Eles não possuem nenhuma autonomia para descobertas! Não se percebem como pensantes e seguem a vida desprezando a filosofia e matando o refletir aos pouquinhos. Nos compartimentos, não há conquistas, validações e afetos. Segregação e intolerância formam a psique dos professábios. No arrastar das cadeiras, nas vozes exacerbadas e na troca gentil de alguns sopapos, está a prova cabal de que as ações não foram educadas.

Quem conseguirá encher mais e mais os currais  da estupidez; os  traficantes, os patrões capitalistas, ou os legisladores?

No império de Darth Vader, há um exército com o braço armado...

E há escolas com mãos atadas.


Jairo Cerqueira